RESENHA
FESTIVAL PALCO DO ROCK 2009 - 15 ANOS

36 bandas sob o Coqueiral de Piatã, em Salvador, comemoraram os 15 anos de Palco do Rock, o maior festival de rock independente da Bahia e o primeiro no carnaval do Brasil.

Por Cleber Silva

O maior festival de rock independente do estado e o primeiro no carnaval do Brasil comemorou seus 15 anos em grande estilo, levando para as areias sob os coqueiros de Piatã a diversidade rocker existente e dois grandes ícones do rock brasileiro. Bandas de Thrash Metal, Power Metal, New Metal, Hardcore, Indie e Punk foram alguns exemplos da diversificação encontrada no festival que contou com 36 bandas locais, interiores e de vários estados entre os dias 21 e 24/02.

Já passava das 16 horas do dia 21 quando o Movimento Hare Krishna de Salvador começou a entoar seus mantras de paz e serenidade. A escolha da abertura oficial ser sem uma banda partiu de Sandra de Cássia, presidente da Associação Cultural Clube do Rock da Bahia [ACCRBA], que gerencia o evento: “É o momento no qual temos que pedir boas vibrações para todos que comparecem, para todas as bandas, produtores, amigos, etc. Ajuda a eliminar os estereótipos e emana coisas boas para todos.”

Assim, a primeira banda da noite subiu ao palco ainda com o pôr-do-Sol. A Incrédula é uma banda relativamente nova, mas ganha seu espaço e vem mostrando qualidade. O som remete ao New Metal com influência gótica e tem em Fernanda Lilith, a vocalista, a expressividade, tanto em composições próprias quanto em covers, apesar de o festival primar pela produção autoral. Lilith mescla o lírico e o gutural com destreza e se os estudos continuarem veremos uma grande vocalista despontando dentro do cenário independente de Salvador. Outro ponto importante na banda são os arranjos de guitarra, sempre bem precisos, principalmente em músicas como “O que é a dor?” e “Lágrimas de Sangue”.

De Poções (BA), a Suffocation of Soul mostrou o Thrash Metal Old School que é marca do grupo. Músicas como “Perpetual Lie” e “Demoniac Empire”, além da música que leva o nome da banda agitaram o público banger, mostrando que o Metal baiano vai muito bem e tende a se expandir ainda mais. Quem gosta do estilo sabe dos riffs rápidos e poderosos e o grupo do interior do estado sabe executá-los com muita competência.

Dando sequência à diversidade rocker, os recifenses da comunidade do Ibura, a banda Sinhô Pereira, levou pro palco programações eletrônicas e percussão aliadas à guitarra, baixo e bateria. Samba, noise, um pouco de hip hop, pop e rock são os ingredientes dessa mistura muito bem feita pelo grupo. Para não fugir da idéia carnavalesca, o vocalista S. Maia usou uma máscara de pierrot para cantar algumas músicas. “Rádio de Pilha” e “Preto, Pobre e Famoso” são exemplos dessa salada musical proposta pela banda e que agradou muito uma grande parcela do público soteropolitano, principalmente na homenagem aos torcedores rubro-negros (do Vitória), prestada pelos rubro-negros de Recife (Sport).

Uma banda soteropolitana que merece todos os elogios é a Os Irmãos da Bailarina. A voz de Théo Filho é densa e passeia pelas músicas de melodias extremamente elaboradas. Sua performance é algo à parte: ele anda em círculos e dança discretamente, fazendo-nos observar o show e sentir a música. Mark Mesquita, o baterista, é seguro nas batidas e Rick Rilo faz arranjos absurdamente excepcionais em sua guitarra, numa mescla de sua experiência com o Heavy Metal e o Indie. Tom Sá segura os graves muito bem em músicas como “Arrepio” e nas versões totalmente modificadas para “Bichos Escrotos” e “Disneylândia”, ambas dos Titãs. Difícil é estabelecer uma rotulação simples para a banda, mas se os rótulos de Indie e Alternativo limitassem e estagnassem a sonoridade deles, trataria de não designar.

Depois de nove anos sem uma banda internacional, o Palco do Rock teve a honra de contar com a suíça Underschool Element. É uma mistura que varia entre o rock pesado, o jazz e as guitarras funkeadas. Greg, o vocalista, subiu ao palco empunhando uma bandeira brasileira, estimulando o público e criando ainda mais expectativa. Já em “Old Call” pode se perceber as diversas influências da banda. Um misto de noise e jazz com baixo marcante. Por falar em baixo, o groove do baixo de Romain remete a Flea (Red Hot Chili Peppers) em muitos momentos, apesar de possuir características bem próprias, principalmente em slaps. As canções alternam o idioma como o inglês, na música “Real Stinky”, o espanhol em “El Dragon Negro” e o francês em “Autour Et Partout”, que predomina. Enfim, o show enérgico que enlouqueceu os baianos.

Depois dos suíços, os potiguares da AK – 47 fizeram uma apresentação extremamente performática. Difícil não acompanhar o ritmo do grupo, que varia entre a velocidade, expressada em “Entrada”, que tem destaque no pedal duplo de bateria e em “Holocausto” que é influenciada pelo Metal mais moderno; e o groove em “Festa no Cativeiro”, que inicia lembrando ritmos amazônicos, mesmo a banda sendo nordestina. O vocal de Juão, que entrou sobre uma perna de pau e totalmente performático sob uma pintura especial, é limpo e agressivo ao mesmo tempo. Não é à toa que cativou o público presente com sua temática que carrega filmes de horror.

Lançando a nova demo “Madrugada Sem Fim”, a Mundo Tosco, conhecida do público baiano, vai se renovando e agregando elementos de variação dentro do seu som. Do Hardcore ao Stoner, passando pelo Metal, a banda executou músicas do seu primeiro cd, como “Olhos Negros” e “Renegado”, da sua última demo. Com um público fiel, a banda mostra extrema competência nas guitarras de Rafael Queiroz e Bruno Pinheiro. Na cozinha, Igor Dias é comedido na performance, mas é o responsável por grooves cruciais no som da banda. Já a bateria de Gustavo canta junto com Fabrício. Nada melhor do que ter um baterista competente. Fabrício berra com afinação. Tem postura de palco excelente e sente a sua música. Tanto que fecha os olhos para cantar. Também tocou tambor de alfaia numa das músicas, ilustrando a diversidade sonora da banda.

Já passava da meia-noite e o Industrial com requintes góticos do Desrroche subia ao palco para uma das melhores performances de banda no ano. Figurino impecável, uma crucificação ideológica e cruzes espalhadas pelo chão transformaram o Palco do Rock em atos memoráveis. Lexpedra e sua característica cartola deram lugar a uma representação papal, o que pode-se chamar, com a licença da banda, de “Teatro da Contradição Católica”. Não exageremos em chamar de Ópera Rock, mas é algo de fino trato com o que se propõe. No som, mudanças. Com a saída de um dos guitarristas e a entrada de Lucio Dark nos teclados, uma cama densa e suave dá a banda um tom mais elaborado às músicas de antes. As guitarras de Negrux [N. do E.: o guitarrista Negrux foi substituído recentemente] estão mais limpas e cheias de efeitos digitais e o baixo de Gladx ganhou mais peso. Alê segura bem a onda na bateria e Lexpedra canta com melancolia em alguns momentos, alternando com agressividade e lirismo. A Desrroche é certeza de espetáculo visual em qualquer lugar que vá.

Para encerrar a noite, uma das bandas de punk/hardcore mais velhas da Bahia em atividade. A Pastel de Miolos é veterana em Palco do Rock e tem um público fiel ao seu som, que a cada ano melhora. Dizem por aí que é como um bom vinho... Músicas que dão o tom de protesto e resistência como “Eu não quero ser o que você quer”, “Ruas” e “Matéria Prima”, que estão no último EP da banda já são acompanhadas pelo público, além dos dois clássicos da banda: “Ted, Skate & HC” e “PDM”. De repente, um clima de Jam Session tomou conta do show e o radialista underground Zezinho Peixoto roubou a cena. Outro que subiu ao palco para cantar com a banda foi Tovar, que acompanhou os “pastéis” numa música de sua banda, a Bosta Rala. Velhos e bons como vinho, o grupo não cansa e nem pensa em se aposentar. Esse show foi certeza de que muito mais virá e a velhice será sinal de maturidade, sem perder a resistência, o protesto, a sobrevivência... E o bom humor.

O domingo começou e o Sol escaldante de Salvador não queria ir embora. No final da tarde, a Endometriose, de Feira de Santana (BA), levou ao palco punk rock e hardcore feminista. A banda é nova, mas as meninas se destacam pelo protesto e pelo público que carregam em seus shows. Parece ter cativado mais gente em terras soteropolitanas. O feminismo é ainda mais latente em músicas como “Amiga Pílula” e “Elas Podem”, que falam sobre os direitos das mulheres dentro de uma sociedade que ainda discrimina a condição feminina.

Mais uma banda do interior aportou no PdR e surpreendeu a muitos. A Inventura é de Alagoinhas (BA) e já leva na bagagem shows fora do estado que rendem bons comentários. Não poderia ser diferente no Palco do Rock. O Indie Rock da banda agradou àqueles que chegaram mais cedo ao evento. Músicas como “Liquidificador” e “Aconchego Fugaz” têm climas harmônicos bem elaborados pelo trio, com destaque para a guitarra de Paulo Henrique, cheia de efeitos aliados aos arranjos de bom gosto, com melodia e barulho em doses sinceras.

O momento “Toca Raul” do festival é marcado pela banda Aluga-se. Deja, vocal e guitarra, entrou caracterizado como profeta e já foi logo cantando “Judas”. Outros sucessos de Raulzito, assim como da própria banda, fizeram os fãs do maior roqueiro baiano delirar.

Na sequência, a Hargos, de Belo Horizonte, levou as bases do Thrash Metal e experimentações como o uso de teclados, variações de andamento e linhas de voz. Executaram as músicas do disco “Shadows of Violence”, como “Carnage” e “Hero Betrayed”, que trazem refrãos de voz limpa e riffs poderosos. Respectivamente, essas duas músicas têm histórias interessantes. A primeira concorreu à trilha sonora do filme Jogos Mortais III e a segunda conta a história de Minas Gerais e sua inconfidência. A banda soa Thrash, mas os elementos adicionais ao som engrandecem o estilo peculiar de se fazer Metal, o que pode dividir opiniões, mas, geralmente, agrada a quem está aberto para experimentações bem feitas.

Depois do peso anterior, a Zefirina Bomba detona o palco com seu noisecoregroovecocoenvenenado. Foi uma apresentação realmente insana e altamente enérgica. É inusitado ver a banda com aquela viola modificada encantar os baianos com tanta energia, disposição e criatividade. Parecia o playground do trio paraibano. Eles foram muito bem recebidos pelo público que vibrou em músicas próprias como “Sobre a cabeça”, a letra mais longa da banda (3 estrofes), “Alguma coisa por aí” e “O que tem pra tu ver na TV”, além de versões para Nirvana. No final do show, Ilsom destruiu sua viola e jogou o que sobrou para o público.

Mantendo o nível de diversão e rock and roll enérgico, a The Honkers já iniciou com “People Love Hate”, que tem um clima ótimo e um clipe muito bem elaborado. Com o som calcado no Punk 77 e Garage Punk, o grupo fez um dos shows mais animados da noite, no qual o vocalista Rodrigo Sputter ficou seminu (novamente) e desceu para cantar com a galera. A performance da banda, que tocou com um novo membro (Leo Marinho, na bateria) e contou com a volta de um velho amigo (Bruno “Pizza” Carvalho), é um caso à parte. Eles dividiram o playground com a Zefirina e Ilsom invadiu o palco feito um louco pulando nos músicos e ficando de cabeça para baixo, coroando a apresentação numa aeróbica roqueira instigada.

Mais modernidade sonora com a Varial, de Maceió. O som deles vai além do Post Hardcore. O Screamo e o Metalcore são influências que podem ser observadas, apesar de comedidas, mas sempre mesclando peso e melodia. Com inegável qualidade de execução de músicas, o grupo, que já participa de trilhas sonoras de filmes de surf, parece ter se sentido em casa, já que tocaram a poucos metros do mar. Simpáticos e competentes, tocaram músicas de autoria própria e revelaram as facetas nordestinas dentro dos mais variados estilos.

O Hardcore em estado bruto tomou forma com a Biscó, de Itabuna (BA). O quarteto foi responsável por fazer a galera pogar com as músicas próprias, em “Invadindo seu Espaço” e “A Escolha”, e covers de DFC e Inkoma. Carla, vocalista, é bem carismática, mas a banda não parecia muito à vontade no palco. Os músicos deram uma travada, mas não comprometeram o show.

Encerrando a segunda noite, a Dryad, banda de Power Metal de Salvador, mostrou que quando uma banda é repleta de bons músicos, há a certeza de uma grande apresentação. Leandro Morelli (guitarra), Ricardo Aggate (bateria) e Mauricio Sacoda (voz) são exemplos táteis de grande performance e qualidade. Os outros três componentes, Ejigbô, Erick e William, respectivamente baixo, teclado e guitarra, não são menos vistos. Muito pelo contrário, ajudam a banda a ter ainda mais destaque.

O terceiro e quarto dias seriam marcados pelas passagens de duas bandas ícones do rock nacional. A Almas Mortas abriu a terceira noite de shows com um som calcado na sonoridade pós-punk e gótica oitentista. Robson Sinistro tem um vocal muito bem feito e a banda conseguiu surpreender até aqueles que não se mostram apreciadores do estilo. Guitarras bem postadas, bateria firme e baixo marcante mostraram que a banda pode progredir ainda mais dentro do seu segmento e dentro cenário da música independente.

A Elipê já é bem conhecida do público baiano e sempre carrega grande público. Não foi diferente no Palco do Rock 2009. Essa é a banda que todo mundo canta, apesar de Paula Noyb ser a principal vocalista e responsável pelas partes mais melódicas das composições. Mais grave e “rasgando a garganta”, o baterista Dudu Lopes dividia com Paula a arte de passar a mensagem. Não contentes com o som diferenciado que já fazem, incorporaram o violino, que também é tocado por um dos guitarristas e enriquece os timbres. Toda essa sonoridade pôde ser conferida em músicas como “Ele e Ela” e “A Rosa Ausente”.

Para marcar uma década de estrada, a Dimensões Distorcidas combinou diversas participações especiais. Músicas já conhecidas como “Metamorfoses da Noite”, “Jornada sem Compaixão” e “O Artista” tiveram participações de Danylo Pontes (Decomposer), Ronaldo Sousri (Expurgado), Tokinho (ex-baterista), Lexpedra (Desrroche) e de Elton, baterista que assumiu o posto do vocalista Tony em uma das músicas e já mostrou serviço em outra área que não a sua. Por falar em Tony, o homem de várias vozes (do tenor ao gutural) não sente o tempo e solta os petardos da banda como se começasse agora. Assim também é o guitarrista Guhh, que é modesto na performance, mas é seguro nas guitarras, dividindo as cordas com Miaghui, responsável pelo tom experimental em seu contrabaixo, que faz o Metal Fusion da DD ser autoral e autêntico.

Em 15 anos de Palco do Rock, a banda Ulo Selvagem coleciona grandes apresentações. Porém, neste ano houve superação. Sandra de Cássia, que também é presidenta do Clube do Rock da Bahia, subiu vestida de debutante para cantar hardcore. Com mais de 20 anos de estrada, a banda estabilizou a formação e fez mais um show de músicas rápidas e caceteiras. Destaques para “Paranóico”, “Confissões de um Mundo Globalizado” e “Skate”, sempre cantado em coro pelo seu público. Ray Bass envelhece, mas sua disposição é sempre a de um garoto. Corre, pula, canta... Kall e Gabriel seguram as guitarras e Dêivide Henrique se destaca na bateria.

Depois de 15 anos sem vir a Salvador, a Plebe Rude volta a rachar o concreto soteropolitano. Segundo André X, baixista da banda, “o ano mal começou e já temos um sério candidato ao melhor show do ano.” Realmente, o soteropolitano que gosta de um grande show pôde ver a Plebe em grande forma e revigorada. Quase todos os clássicos foram tocados: “Bravo Mundo Novo”, “Censura”, “Códigos”, “Minha Renda”, “Este Ano”, “A Ida”, “Sexo e Karatê”, “Brasília”, além de “Medo”, do Cólera, “Luzes”, da Escola de Escândalos (ambas gravadas em 2001, no álbum Enquanto a Trégua Não Vem) e as mais novas “O que se faz”, que abre o disco mais novo e “Dançando no Vazio”, uma versão para Staring At The Rude Boys, do The Ruts. No final, eles se despediram, mas o gosto de quero mais do público fez o coro pedir “Até Quando Esperar”. Era hora de dar adeus à Plebe Rude e esperá-los mais vezes e com intervalos bem menores. Vale ressaltar que Phillipe Seabra deu uma de timbaleiro e recrutou uma percussão que estava em cima do palco para uma participação improvisada mais que especial.

Passada a euforia com a Plebe Rude, foi a vez dos cearenses do Lavage sentarem a mão com bastante punk rock. “Decadência”, “Mate-me Por Favor” e “Revolução” foram apenas doses de punk pros novos fãs da banda, que foram ao delírio com uma versão para “Anarchy in the UK”, do Sex Pistols.

A atmosfera muda e o mórbido toma conta. Fãs histéricas gritam por Erich, vocalista da Maldita, vinda do Rio de Janeiro. Uma dessas fãs, durante o show, mostrou os seios pro vocalista. Engraçado que a banda tocou há dois anos atrás no PdR e depois abriu shows de Marilyn Manson. Dessa vez, de volta a Salvador, estão se despedindo do Brasil para uma turnê européia a partir do final de Abril. A banda mistura bem essa atmosfera densa do gótico com o industrial que remete muito ao Nine Inch Nails, mas com as pegadas fortes da bateria de Vidaut, o que puxa um pouco do Metal para eles. Enfim, um show sombrio e performático.

Outros cearenses aportam no Palco do Rock. A Roadsider, destaque nacional com sua primeira demo, fazem um Metal pesado, com influências do Stoner e Thrash. Palhetadas abafadas e harmônicos artificiais são características do som da banda, que também tem no vocalista outra fonte de competência.

Já a Keter encerrou a noite do terceiro dia em grande estilo. Porém, o Thrash/Death Metal da banda foi ameaçado por problemas técnicos: o banco da bateria quebrou, o pedal duplo também e o pedal do guitarrista George deu pau de repente. Perderam alguns minutos da apresentação, mas conseguiram fazer um show matador, já que contaram com a ajuda da Roadsider. A única música do repertório que foi cortada foi “Caçadores das Trevas”, mas “Insanidade” e “Kings of Havoc” foram alguns dos destaques da banda, que tem em Bawdy um dos melhores vocalistas de Metal do estado. Yuri Duplat e George Lessa formam a dupla de ataque com as guitarras, sempre muito precisos, Renato é destaque na bateria e Luis é modesto no baixo, mas ajuda a formar uma das melhores bandas de Metal da Bahia.

O último dia de shows começou com a veterana Ant Corpus, que já andava meio sumida dos palcos. A banda renovou o repertório, incluiu mais músicas autorais novas e parte para o Heavy Metal tradicional que lembra as bandas brasileiras do início da década de oitenta, mas com fortes pegadas progressivas. “Quanto de nós ainda resta”, “Nagazaki Hiroxima” e “Estão nos destruindo” são pontos altos nos shows do grupo.

A Louder subiu ao palco como uma sonoridade pesada que remete ao Metal e ao Stoner, e fez um dos grandes shows da sua carreira. “Inconstante”, “O Alvo” e “Heróis Perdidos” são músicas que mostram bem a mescla feita pela banda, que recebeu do público a gratidão pelo serviço prestado.

Já a Soprones, de Montes Claros (MG), foi mais uma banda que surpreendeu o público e a produção. Uma banda nova (formada em 2008) geralmente treme nas bases quando encontra o público soteropolitano do Palco do Rock. Com eles foi exatamente o contrário. A banda recheou o evento com muito crossover de punk e hardcore com uma energia contagiante e vibração ímpar, digna de tocar em grandes festivais. Não é à toa que foi escolhida como um dos destaques do evento entre as bandas de fora da Bahia, em votação do público. Público esse que vibrou em músicas como “Caminhonete do Cão”, “Mão Imunda” e “Serial Killer”. Logo após a atração montesclarense, foi a vez de mais alta performance no PdR.

Logo após a atração montesclarense, foi a vez de mais alta performance no PdR. A Canibal Brasil mostra irreverência através de Guga Canibal, seu vocalista. Foram várias trocas de figurino durante o show, homenagem à extinta banda baiana Jesus Bastardus, e muito mais que só a CB poderia mostrar. Guga é um showman: dá mosh, põe o fã para cantar junto, berra, salta, dá sermão, protesta e se diverte.

Já o grupo paulistano Inocentes fez um show que ficará marcado por muito tempo na memória dos seus fãs baianos. A energia de Clemente (que já havia tocado na noite anterior com a Plebe Rude) contagia o público. Com sua guitarra em punho, entoou hinos Punk de décadas de protesto. “Pânico em SP” virou “Pânico em Salvador”, pois o público cantou assim. “Garotos do Subúrbio”, “Miséria e Fome”, “Nada Pode nos Deter”, “Rotina”, “Nada de Novo no Front”, “Intolerância”, “Desequilíbrio” - do Restos de Nada - e “Pátria Amada” foram algumas das músicas tocadas no show e que fazem parte do DVD Som é Fúria, lançado recentemente pela Mostro Discos. O final ficou por conta de “I Fought the Law”, do The Clash e uma versão para “Franzino Costela”, do Sex Noise, que foi vetada no DVD pela gravadora. Enfim, Clemente, Ronaldo, Nonô e Anselmo fizeram o que sabem e mostraram a veia viva do punk brasileiro no Palco do Rock.

“Que banda é essa, mano? Muito boa!” Foi a pergunta e a constatação feita a mim por Clemente, do Inocentes, se referindo à banda que já estava tocando no palco principal. Era a revelação de 2008 consolidando seu potencial e carreira mais uma vez no Palco do Rock, festival que abriu as portas para o primeiro show da carreira do trio. A Minus Blindness mistura o Thrash Metal com sons mais modernos e fazem um som extremamente pesado e elaborado. As guitarras de Tássio Bacelar, que também faz o vocal, são de extrema técnica e habilidade, conciliando os berros afinados com tanto arranjo tocado. O baixo de Mileki não foge à risca do trabalho produzido em “Choleric The Aversion”, primeiro álbum da banda. Para completar o trio elétrico, Thiago Andrade parece enlouquecer com as baquetas. Extremamente rápido, técnico e performático, ele consegue esmurrar a própria cabeça enquanto toca. Contaram com a participação de Daniel Datolli, da banda baiana Cobalto, fizeram medley do Metallica e completaram com sons autorais como “Just Passengers”, “War Zone”, “K.T.K.” e a preferida desse que vos escreve: “I Belong”.

A banda brasileira que mais faz shows na América do Sul, C.H.O.K.E, é do Paraná e fez um show simples e direto no PdR. Destilou seus principais petardos que unem Hardcore e Metal em estado bruto. Músicas rápidas e protestantes, cantadas principalmente em espanhol, expressam o orgulho sulamericano por suas raízes, costumes e históricos conflitos políticos que insistem em demonizar a chamada esquerda (ou comunistas, mesmo!).

Já quase no final da festa, a Movidos a Álcool, de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, levou o Rock Brega ao palco e transformou o PdR numa grande seresta rocker. Caracterizados como boêmios, o quarteto não só insinua o consumo do álcool como bebe extremamente enquanto toca. Para citar o codinome do vocalista - Cachaça - ele sempre diz que vai afinar a voz enquanto bebe uma dose. Amado Batista, Reginaldo Rossi, Raul Seixas e músicas próprias são os ingredientes deste drinque, que brinca com os estereótipos e diverte a todos.

Encerrando a jornada de 36 shows nos quatro dias de evento, a Fullminant subiu ao palco para mostrar Thrash e Death Metal em velocidade extrema. A banda é nova, mas isso não tira o brilho dos rapazes. Nikkury canta muito e se houver ainda mais esmero a probabilidade de crescimento dele como profissional e da banda serão ainda maiores. Isso sem falar da competência de Luan no baixo. O cara toca e bate cabeça como se nada tivesse acontecendo. Já Renato Corpse, na bateria, espanca a coitada com muito ódio e faz da banda cada vez mais forte. Já na guitarra, Bonne executa riffs rápidos e poderosos,enlouquecendo a legião de admiradores que esperou até o final da festa.

O Palco do Rock 2009 se despediu do seu público que também pôde curtir no Espaço Interativo - que pela primeira vez pode ser implantado após anos sendo almejado - DJ's como Raminho e Sweet 666, um show à parte de Thildo Gama, primeiro guitarrista de Raul Seixas e Big Ben (Waldir Serrão), a banda Sonora, tatuadores como Elvira Tattoo e Casé Tattoo, expositores de material alternativo e das bandas, como a Vaca Verde; Red Devils M.C. com roupas e acessórios para motociclistas ; a Cooperativa de Rango Vegan com alimentos saudáveis e a Agenda XXI de Itapuã, que distribuiu mudas de plantas e orientou sobre a preservação do Meio Ambiente.

Não deixem de conferir as fotos!!!!! Cliquem aqui


VÍDEO TEASER - Palco do Rock 2009


O PÚBLICO - Miscelânea do PDRock 2008



UNDERSCHOOL ELEMENT (Suiça) - Real Stinky


PLEBE RUDE (BSB) - Até quando esperar


INOCENTES (SP) - Pátria Amada


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